TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA
CONE BEAM (FEIXE CÔNICO)

Hounsfield, prêmio Nobel de 1979, desde a década de 60 do século passado, voltou seus estudos para a aquisição e avaliação das imagens tomográficas. Tomografia significa a imagem gerada em um corte de um tecido. Assim sendo, a aquisição volumétrica permite a obtenção de imagens tridimensionais de um corpo, sem a sobreposição de estruturas anatômicas e proporcionando a diferenciação de tecidos, moles e duros. Para uma tomografia, a fonte de raios-X e os detectores fazem um movimento sincronizado rotacional sobre o paciente, o qual deverá permanecer imóvel durante a aquisição.

Tomografia Computadorizada espiral, popularmente conhecida como tomografia médica, as imagens são adquiridas através de um feixe em forma de leque (fan beam). Nesta técnica de multislice, as imagens obtidas (slices) são, através de um software, reunidas após a sua obtenção. De um modo geral, o paciente que encontra-se deitado sobre uma maca móvel, a qual desloca-se para o interior de um gantry, onde está localizada a fonte de raios-X e os detectores. Esta fonte de raios-X emite feixes de 120 Kv com 200mA. Desta forma todo o objeto é tomografado, com um ganho nas imagens para tecidos duros e tecidos moles. O inconveniente é o “pânico” sentido por certos pacientes quando do deslocamento da maca para o interior do gantry, sendo, muitas vezes, necessário abortar o exame.

Tomografia Computadorizada por feixe cônico (cone beam) a imagem é adquirida por um feixe de raios-X de forma cônica, o qual é produzido num ângulo constante de 14º, sobreposto a um filtro de alumínio. Os raios-X são capturados por um intensificador de imagens ou uma placa amorfa de silício ou selênio, (flat panel), no caso do i-Cat. Durante a tomada da imagem, é emitido um feixe com 120 Kv com 18,45 mA. Esta imagem é enviada para o software do aparelho que a fatia em slices, com cortes de espessura de 1 mm, em intervalos pré-determinados. Há aparelhos que adquiram a imagem com o paciente deitado e maca móvel, entretanto, na maioria dos tomógrafos cone beam faz-se a aquisição com o paciente sentado, o que os torna menos estressados.

Quando da solicitação de um exame, é necessário que o colega requisitante especifique a região de interesse, relacionado-a com o seu objetivo, quer seja a verificação e espessura e altura óssea para a colocação de implantes ou a pesquisa de dentes inclusos ou de patologias ou ATMs, etc. Isto é importante para que a aquisição do exame seja feito com a menor dose capaz de fornecer um diagnóstico. A colimação ou campo de visão ou mesmo FOV (field of view), o tempo de exposição e o tamanho dos voxels serão determinados de acordo com o objetivo do exame. Caso a solicitação seja feita para fins ortodônticos, o FOV será de 22 cm, o tempo de exposição será de 40 segundos com um voxel de 04 mm. Caso a solicitação seja feita para a pesquisa de áreas para a colocação de implantes na maxila ou na mandíbula, o FOV será de 6 cm, o tempo de exposição será de 20 segundos com um voxel de 0,3 mm. É interessante comentar que quando estivermos diante de aquisições planas (radiografia convencional, por exemplo) a reconstituição da imagem será feita através de pixels (picture elements), nos eixos x e y (abscissa e coordenada). Um pixel tem altura e largura, contudo, quando estivermos diante de aquisições volumétricas (Tomografia Computadorizada) a reconstituição da imagem será feita através de voxels (volumetric elements), nos eixos x, y e z. Um voxel tem altura, comprimento e profundidade. Um voxel tem a forma geométrica de um cubo e é constituído, portanto, de 6 pixels.

Com a globalização, houve a necessidade de tornar a imagem tridimensional operável. Deste modo para definir um padrão tecnológico global que permitisse operabilidade dos sistemas para a produção, o armazenamento, a visualização, o processamento, o envio e a impressão destas imagens, foi criado em 1993 o padrão DICOM (Digital Imagining and Comunication in Medicine). Assim, a partir de imagens adquiridas por quaisquer sistemas, a transformação destas imagens em formato DICOM permite garantir a integridade dos dados presentes no exame do paciente (valor legal) bem como a portabilidade, o que irá permitir que o exame seja aberto tanto nas estações de trabalho como em computadores pessoais ou enviado a outros centros de diagnóstico.

TERMOS EM TOMOGRAFÊS:

  • Hiperdenso – corresponde ao radiopaco das radiografias.
  • Hipodenso – corresponde ao radilúcido das radiografias.
  • MIP – Maximum Intensity Projection, serve para dar a imagem variações de transparência, assemelhando à imagem das radiografias.
  • FOV – corresponde a colimação ou campo de visão do aparelho.
  • DICOM – Digital Imagining and Comunication in Medicine, é o formato no qual as imagens ganham portabilidade.
  • Reconstrução em 3D – volume rendering, processo de visualização tridimensional baseado no valor de cada voxel, baseado na reflexão da luz sobre a sua superfície.

VANTAGENS DA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA:

  • Baixa dose efetiva – equivale a 3 radiografias panorâmicas, em média.
  • Rapidez na aquisição do exame – tempo máximo = 40 segundos.
  • Aquisição da imagem com o paciente sentado.
  • Acessível a pacientes especiais (aquisição em cadeira de rodas).
  • Imagens sem ampliação ou distorção (escala 1:1).
  • Reconstruções em 3 D.
  • 14 bits – maior nitidez e contraste, em escala de cinza.
  • Geração de imagens DICOM – portabilidade.
  • Manuseio e mensuração em softwares _ i-Cat Vision e Dental Slice.
  • Prototipagem – planejamento para cirurgia guiada.